26/03/09




eram lágrimas


Eram lágrimas. só podiam ser lágrimas. o que o corpo pedia. nessas noites. que nunca mais acabam.
debaixo de lençóis magoados. e travesseiros doídos. um corpo sem domínio de si. resvalando pela escuridão.
como trapos entre os rochedos. o que dói num corpo assim tão desorientado?
uma ferida que não se vê? uma dor que não mente? um abismo de sombras e tonturas que não se detém?
corpo que se queixa e não chora. corpo parado. corpo impotente. corpo falido.
eram lágrimas. só podiam ser lágrimas.
o que o corpo pedia. nessas noites.
que nunca mais acabam.


*


(imagem de erlandpil)

1 comentários:

Anónimo disse...

TQM

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