
na minha morte
acende uma vela. com cheiro a jasmim. deixa que o aroma. roube ao ar o inútil. impregnando-o daquela fragrância que é a tua. e quando a morte me chamar. apaga os círios. e vela-me. com o tule luminoso dos teus olhos. o meu corpo. há-de levar tempo. até que arrefeça. entra pela porta estreita. da capela. e vem. silenciosa. aproxima-te do meu rosto. dá-me a tua boca. beija-me nos lábios. peço-te apenas um beijo demorado. um desses beijos impossíveis em vida. amortalha-me lábio a lábio. pétalas luzidias. adoçadas em algodão. já não vou a tempo. de ler. o que escreveste. no livro das condolências. mas. na morte. as palavras. são adornos de circunstância. não chores. as lágrimas que verti. chegam para adubar. a campa que me espera. só um beijo teu. intenso. me salvará de todos os pecados. com o calor dos teus lábios. com a ternura do teu beijo. a minha morte. é a outra a vida. que não vivi.
*

3 comentários:
por vezes, ninguém ama mais do que a morte.
morre o poeta, salva-se o poema.
abraço
Si muero,
dejad el balcón abierto.
El niño come naranjas.
(Desde mi balcón lo veo).
El segador siega el trigo.
(Desde mi balcón lo siento).
¡Si muero,
dejad el balcón abierto!
Porque regreso para darte un intenso y tierno beso mi amor...
*
(adaptado García Lorca)
Podrá nublarse el sol eternamente;
Podrá secarse en un instante el mar;
Podrá romperse el eje de la tierra
Como un débil cristal.
¡todo sucederá! Podrá la muerte
Cubrirme con su fúnebre crespón;
Pero jamás en mí podrá apagarse
La llama de tu amor.
G Bécquer
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