à mesa do café. chega uma luz derrotada. pela dor viril da ausência. podia ser mais uma nuvem. remota vaga de chumbo. que nos separa. ou um súbito desnivelamento do sol. mas não. tudo é baço. nos meus olhos. vidrado negrume de obscuras mãos. parasitas. nesta mesa. sentam-se fantasmas. moem o pensamento. como velhas beatas. estás à minha frente. sorriso abraçado. a horas em que a felicidade. não se repartia. e o desejo era uma espiral de fogo. agora. mesmo junto a mim. a tua sombra é fria. e o meu corpo. um varão a que toda gente se encosta. quando não encontra lugar. podia ser mentira. e a esta hora. a mesa do café era só nossa. e sorríamos. como sempre. antes da ausência. ter convidado fantasmas. para o lanche.
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(imagem de erlandpil)
