04/03/09



não partas

não partas. hoje morri devagar. debruçado sobre o rio.
e quando acordei da morte. havia uma cidade nervosa.
cansada de viver nos meus olhos.

não partas. hoje perdi todas as vagas do mar.
e quando cheguei aos cais. cheirava a gasóleo.
os teus cabelos. fundeavam. ao largo de um porto abandonado.

não partas. hoje chegaram as cinzas. das últimas cartas que arderam nos pesadelos.

não partas. hoje está mais frio. e a chuva. sim. a impiedosa chuva. quer-me cegar.

não partas. hoje vi um pássaro ferido. e uma criança louca. a correr para um hangar que explodiu.

não partas. hoje desligaram os geradores. e a corrente que nos liga ao mistério. foi cortada.

não partas. hoje disseram-me. que desistimos do amor. porque alguém mandou sabotar os nossos pensamentos.

não partas. hoje. depois de morrer .esqueci-me que tínhamos combinado adormecer juntos. e como ainda não te vi. a morte
concedeu-me. um pouco mais de vida.

não partas!


*


(imagem de deviantart)

2 comentários:

Anónimo disse...

e não parti...!!!

margarida disse...

o teu mar de letras onde navegam os teus sentires...

não parto...
vou passear mais por aqui:)))

beijinho.