lendaontem fui de remos. até à foz. e vi-te descalça. tocada pelo vento breve. medias a sincronia das ondas. enquanto eu desmantelava a solidão. em meadas de feno. pelas intactas margens. passavam veleiros. e uma lenda. contada pelos pescadores. fala sobre a pesada mágoa. que o nevoeiro adensa. em dias. de mar cavado. dizem os pescadores. que as mulheres que ali chegam por esta altura. transformam-se em névoa. vestem túnicas brancas. e andam descalças. como tu. conversam com o mar. entendem o dialecto das gaivotas. e quando anoitece. desaparecem. diz a lenda. que essas mulheres. sepultam no mar. vestígios. de incuráveis amores. e aguardam que do labor das marés. nasçam auroras esperançosas.talvez eu nunca chegue a entender. essa tua oração. nem o mistério do recolhimento. talvez. por isso. quisesse ser nuvem. salvadora. no momento. em que já só és névoa.
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(imagem de steven hanks)

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