
forro do poema
no forro do poema
os indícios da memória
removem as cinzas
do medo.
quem aí
chega e dentro
do poema
caminha desprevenido
há-de encontrar
um prado
ou um poente.
não se escreve
um verso
em chão de tijolo burro.
*
(imagem de fernando figueiredo)

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