19/03/09


forro do poema

no forro do poema

os indícios da memória

removem as cinzas

do medo.

quem aí

chega e dentro

do poema

caminha desprevenido

há-de encontrar

um prado

ou um poente.

não se escreve

um verso

em chão de tijolo burro.


*

(imagem de fernando figueiredo)












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