18/03/09


ao fim do dia

se acabássemos o dia juntos
no exacto instante
em que o sol finda
o seu labor
o perfume
do teu corpo
podia descansar.
e as minhas
mãos cansadas
de remexer
no húmus da palavra
pedissem
enfim
um acorde
de violino
a noite
que nos aguarda
dava-nos
a voz silenciosa
para que juntos
rumássemos
ao monte
e embrulhados
ao calor ainda intacto
das ervas
trincávamos
a maçã
que sobrou
do almoço.



*



(imagem de deviantart)

1 comentários:

Margarida Araújo disse...

Seria uma sonata tocada a duas mãos.