02/04/09



caminha


caminha. meu amor. pela indízivel sinfonia das aves nocturnas. ouve os meus passos. eles são o rouco meditar da solidão. procura-me. entre as húmidas giestas. do amanhecer. abraça-me. as estrelas que nos guiam. desertaram. e só nos resta. esse escuro canavial. onde tantas vezes. os teus olhos me levaram. apenas por um beijo. ou por um arrepio de ternura. na cidade. tu sabes. a conjura dos fariseus. faz de nós. estranhos viajantes. perdemos o olhar. e aquela desmedida vontade. de girarmos no pião da infância. a ponte levadiça. é uma barreira imposta. pelos que teimam. em proibir que os nossos corpos. sejam barcos ou poemas. com que partimos rumo ao que não vem contado. nas páginas dos jornais. somos notícia. do amor ausente. no açude. distante. o teu sorriso. é um veleiro encalhado nas minhas lágrimas. e os meus olhos. breves alusões. ao beijo. que nos roubaram. na alfândega.


*


(imagem de deviantart)

2 comentários:

a.r. disse...

hoje prenoito nas asas de um pássaro gigante. com o passar das horas. o sol assoma um sorriso primaveril entre as nuvens. a saudade entrou em conta regressiva. quero desenhar ternuras. junto da tua pele. à procura de um beijo.

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Anónimo disse...

Gosto... Bem bonito!