19/04/09

noivar

não era domingo. mas eles noivaram na sombra de um quarto silencioso. pela fina rede de malha cingida. uma pomba voou. e voaram carícias. beijos. abraços numa coreografia. perfumada. ela preparou-se para o noivado. com rendas e espartilhos de seda. vinha. armada. e ensaboada. para a batalha. mas foi largando. as armas. uma a uma. até que a nudez. suou. e com o corpo. assim. abandonado. no campo de linho. houve música. cantaram os olhos. e os lábios. entoaram um coro intimo. caíram romãs e morangos nos rostos de ambos. as flores. eram esterlicías. estavam em pleno festim. os amantes. sem convidados. nem palavras e sacramentos. uma pagã liturgia apoderou-se dos corpos. e pelas ranhura das paredes. o vento enrolava. amores perfeitos. secretamente oficioso.
religiosamente pagão. aquele noivado.


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(imagem de grendel)