noivarnão era domingo. mas eles noivaram na sombra de um quarto silencioso. pela fina rede de malha cingida. uma pomba voou. e voaram carícias. beijos. abraços numa coreografia. perfumada. ela preparou-se para o noivado. com rendas e espartilhos de seda. vinha. armada. e ensaboada. para a batalha. mas foi largando. as armas. uma a uma. até que a nudez. suou. e com o corpo. assim. abandonado. no campo de linho. houve música. cantaram os olhos. e os lábios. entoaram um coro intimo. caíram romãs e morangos nos rostos de ambos. as flores. eram esterlicías. estavam em pleno festim. os amantes. sem convidados. nem palavras e sacramentos. uma pagã liturgia apoderou-se dos corpos. e pelas ranhura das paredes. o vento enrolava. amores perfeitos. secretamente oficioso.
religiosamente pagão. aquele noivado.
*
(imagem de grendel)

5 comentários:
É tão bom morrer de amor. matar saudades e continuar vivendo...
Adorei Alberto.
;) *
simplesmente uma doçura de texto!
fico contente poeta! voltaste!
abraço
Lindo! Parabéns.
Eu tb estou contente com o regresso.
.p.o.e.t.a.
.p.a.r.a.
.t.i.
.u.m.
.p.e.r.f.u.m.a.d.o.
.r.a.m.o.
.d.e.
.f.l.o.r.e.s.
.d.e.
.l.a.r.a.n.j.e.i.r.a.
Enviar um comentário