
respiro a tua voz
respiro a tua voz. sempre que apunhalam o silêncio.
será pele de lírio. a tua voz?ou sou eu que já não suporto o tilintar dos eléctricos
o ruído do trânsito. os gritos de gente sentada?
haverá um rio. vestígio de candura. na maneira como falas.
essa suave alegria. que me trás agarrado. aos livros.
e a uma certa solidão. onde os teus olhos cantam silenciosamente. digamos. que a tua alegria não é bem uma festa.
porque quando te sentas na relva. e sorris.
há uma criança que brinca. e cresce dentro do bosque.
acontece que me deixo levar pela tua voz.
e é como se te deitasses sobre esta página. e nela.
teus cabelos afagassem de ternura. os longos silêncios. antes de eu te pedir:
fala-me do teu primeiro amanhecer em mim.
*
fala-me do teu primeiro amanhecer em mim.
*