10/02/09


deserto

o deserto é a distância
habitada de fantasmas.
se o deserto fosse
água lisa de um rio
tu eras o clamor das garças
e lá muito longe
flutuavam sinais
claros
do teu sorriso.
abas de névoa
cintilando
nos telhados.
mas tu és o longe
lugar incerto
eu sou o próximo
impossível
morada
da apatia.
às vezes
imagino-te
num banho
de delicias
enrolada
em fios de mangas.
há em ti uma bandeja
de tâmaras
onde os olhos
repartem
a luz e a sombra.
eu animal exausto
chafurdando
na lama.


*


(imagen de mel gama )


2 comentários:

a.r. disse...

...vem deitar-te comigo no feno dos romances
para que o amanhã não solte o ciúme
e de novo nos obrigue a fugir...
...vem estender-te onde os dedos são aves sobre o peito
esquece os maus momentos a falta de notícias a perguiça
ergue-te e regressa...

Al Berto

*

mari@ disse...

Despe-me
ou deixa que eu me dispa
e depois veste-me
pouco a pouco
de carícias
(luís ene)