
desapego
as palavras doem.
a felicidade
é medíocre.
escrevo-te
com os fragmento
de alegria
que ainda deixaste
em mim.
já só me resta
respirar os últimos
vestígios de cheiro
a frutos.
e com esse perfume
de pele
imaginar
que és tu
a deixar correr
pelo rosto
os cabelos
que havias desatado.
entre nós
mora agora o doloroso silêncio.
o desapego
que se segue
as desgostos.
quando temperava
a esperança
na doçura
dos teus olhos
sonhei
ter-te
mulher que
ama e deseja.
sujei as mãos
e a confiança
no lodaçal
das palavras.
escrevo-te
e sei que já não me lês.
é a minha vocação
suicida.
morrer
em cada palavra
que apagas.
*
(fotografia de graça loureiro)

2 comentários:
Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube que ias comigo,
até que as tuas raizes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo.
P Neruda.
*
besito
Gostei imenso, das tuas palavras e imagens.
Continua a escrever as tuas luas.
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