mágoalábios trancados. ordena a velha feiticeira. numa rua esconsa. caiada de neve. a mágoa é uma carta trocada. lê-me as mãos. os teus caminhos carregam magoadas lembranças. e felizes atalhos. alguns. reencontra-te. nessa fina teia. ramos frouxos de sangue na palma da mão. e insiste a velha. com seus claros olhos negros de vendedora de quimeras. magoar pertence à mesma família do verbo amar. mas guarda no sereno da noite. uma carta de adeus. despede-te da fala. esquece. e escreve. escreve para a moldura. a imagem da mágoa. esmaga-a a tempo. no almofariz da usura. conselho último da mulher feiticeira. só a palavra te salva. deixa que os sonhos fabriquem. novos destinos. porque a mesma palavra. que magoa. um dia será rosa. agora. caro senhor. siga os trilhos da ocultação. na sombra. a memória vai elaborando. sem pressas. as linhas. com que um dia. a ternura estrema. explodirá. em longos parágrafos. lábios trancados. ouviu?
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(imagen de mariah)