máscara perdidaa máscara estava cansada. suada. procurava um aposentado do disfarce. emigrou do desfile. e voando sobre a multidão. cobriu-se de musgo. rondou os muros. e juntou-se. vestindo a pele de animal apaziguado. aos que longe. se confundiam com a noite. clandestinos que remexíamos caixotes de lixo. mendigos famintos. que impelidos pela fome. devoravam os restos. da folia. a máscara. que naquela altura. apresentava já. rosto de gente. lavou-se no tanque. e refugiou-se num prédio arruinado. lá do alto. zombava dos que como ela. tinham sido alugados. ou subtraídos aos sótãos dos trapos. olhou vagarosamente o céu. e desapareceu. no rasto da primeira ave.
o homem. de cujo rosto. a máscara se tinha pirado. andava numa aflição. dai-me a minha máscara. quero ser rei por uma noite. banqueiro por uma hora. desesperado. o pobre homem. que tinha fugido da crise. para se transformar num vendedor de ilusões. publicou um anúncio:
" pede-se a quem possua a máscara da felicidade. e abundância. o
favor de a devolver num prazo máximo de dez horas"
a máscara já tinha mudado de mundo. e ao homem. não lhe restou
alternativa. com a cara triste. dos dias comuns. juntou-se ao desfile dos desempregados.
(imagem de tchiga)