11/02/09



moinha

há uma dor.
que vai escavando.
uma moinha que fustiga.
mansamente.
dolorosamente.
e uma voz
que lá fora
me chama.
volto
às grades do
silêncio.
porque há
lágrimas
cabisbaixas
e palavras
que pedem
clausura.
há no ar
um adeus
subterrâneo
uma despedida
invisível
que no corpo
deixa
seu
ferrete
delicado.
persigo-me
a mim próprio
como
uma sombra
que perdeu
a sua árvore
e exausta
de tanto
se perder
desfaz-se
no
vento.


*


(imagem de deviantart)

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