
amor sem esperança
em nenhum livro encontrou o destino. da plena felicidade. nenhum leitor é verdadeiramente feliz. insiste. a felicidade que avistamos nos livros. é uma redoma que embarca no porão resevado. em mercadoria assinalada a maiúsculas: FRÁGIL. degrau de vidro. que estala ao segundo pôr do sol. todo o escritor inventa uma verdade. convencido que nos concede uns capítulos de plenitude. à nossa existência acantonada. agora sabe. que só vivendo. em estado de infelicidade. pode desenterrar um pedaço se insensatez. uma lágrima menos infeliz. mas nem toda a literatura. é um atalho de impossibilidade. lembra-se de um autor húngaro. que num romance sombrio. escreveu: ¨só o amor sem esperanca não tem fim¨. aquela frase sim. era a sua vida. de longe. o cabelo avulso. escorria pelos ombros. como mel derramado. nos olhos baços queriam dizer: haja o que houver. esta confortável facilidade. que em movimento. faz-me mal. quero-te. tanto. disse. que nao há perigo algum. capaz de congelar o desejo. desde aí. não mais desistiu. de se perder. por estradas secundárias. fugir. pela porta traseira da rotina. ir até á morte. se for preciso. ¨por um amor sem esperança¨. sem nunca se resignar a baixas temperaturas. num amor sem esperança. há uma segunda vida. em transe clandestino. perde-se a medida do tempo. nunca é só o agora. e pronto. onde estao as pantufas? é tambem o depois. o antes. o amanha. o ontem. o ano passado. a semana que vem. acomodação? só no amor com esperança.