20/12/11

rua da evasão



da próxima vez. que a porta abrir. vou descer ao lago sombrio. das minhas memórias. e à luz branda do anoitecer. conto: regressávamos juntos. pelo caminho coberto de ulmeiros. ela. recusava ser envolvida. pelo odor de uma neblina cor-de-rosa. conhecia apenas. a luz exacta dos dias iguais. afastava vozes. que a distraísse. visões assombrosas. de amantes. que sobem abraçados o rio. nunca sentiu vontade de ser beijada. entre ramos de salgueiros. no branco luar de Agosto. ele. sonhava ser amado debaixo de um céu enxuto. tinha muitas cartas inacabadas. em campos estrumados de orvalho. sentia o aguilhão. chamou-a para a intimidade do quarto. e num atrapalhado sermão. falou-lhe. da origem dos frutos. do voo desatinado dos pássaros. da luz amordaçada. na rua da evasão.






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(imagens dautor desconhecido )