29/12/11

interrogar a natureza



digo-te de mãos transtornadas. o rosto a latejar:
há outra pele. dentro da tua pele. uma rua de luz
mínima. onde o meu corpo frio. reconhece os limites.
de um lugar ameno. quanto mais longe estás. mais perto me sinto
desse olhar com porte de sombra inquieta. escrevo-te. porque as
palavras. mordem a névoa espessa. lembra-te daqueles instantes. em que juntos. construímos. serenamente. uma reserva de ar puro. as tuas mãos . reflectidas no corpo liso do rio. horas breves. que
condensavam. a essência do eterno. a chuva voltou. e com
ela. regressaram. as sirenes da aurora. que imaginamos. em
manhâs. de alegria instintiva. "as coisas atraem-se como
os planetas".
quando a chuva cessar. hei-de interrogar a natureza: que
nome se dá. a dois corpos. a tremer. debaixo
de um xaile?






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