na hora da minha morteacende uma vela. com cheiro a jasmim. deixa que o aroma. roube ao ar. tudo o que mancha. o instante da despedida. espalha aquela fragrância que é a tua. e quando a morte me chamar. apaga os círios. e vela-me. com o tule ameno dos teus olhos. o meu corpo. há-de levar tempo. até que arrefeça. entra pela porta estreita. da capela. e vem. silenciosa. aproxima-te do meu rosto. dá-me a tua boca.
beija-me sem pressas. amortalha-me entre os lábios.
já não vou a tempo. de ler. o que escreveste. no livro das condolências. mas. na hora morte. as palavras. são para incinerar. rapidamente. não chores. as lágrimas que verti nos últimos dias. chegam para adubar. a campa que me espera. o calor das tuas mãos. no meu rosto frio. dá à minha morte.
um simulacro de vida. que ninguém repara.
*