12/12/11





carta de inverno



até onde posso ir. meu amor. neste deserto frio. em que me deixaste. a soluçar. para o branco chumbo das nuvens? a chuva parou. logo após a tua despedida. e nem houve tempo. para eu aprovisionar. um cântaro de água dos teus olhos. a súbita carga. de sol. que se abateu. sobre os meus braços. impediu também que deslocasse. para a sombra. o vapor de água. que se avolumou. nas paredes. à medida. que os nossos lábios. iam enrolando. no escuro. suaves teias. consolado. pelo teu ameno. encolher de ombros. não me atrevi. a procurar-te. nem a registar. o número de polícia da tua porta. tínhamos combinado. vagamente. trocar cartas. sem endereço. para que as nossas palavras não fossem violadas. eu. continuo à janela. assistindo. ao vai e vem rotineiro. de asseados automóveis. queimando combustível. em passeios tristes. o sol de inverno. já anda por aí a mendigar neve. pelos montes. e antes que tudo se torne indistinto. no horizonte. peço-te que me envies uma lágrima. em carta registada.






*