12/05/08

os teus cabelos






É um abrigo.
Um tecto de colmo.
Luz de ouro. que o empedrado luzidio da chuva absorve em lentas combustões de azul.
Em dias de céu fechado.
São como palmeiras que acariciam o chão árido e despovoado.
Não sei que fronteira me espera.
Nem que caminho encontro no extremo dos campos.
Inexplicável embaraço do que alcanço ou não alcanço.
Escassas são as tempestades.
Remotas as chuvas.
E o meu refúgio nos teus cabelos é só um capricho?
Uma extravagância?
Um inútil duelo entre mim e a natureza?

(fotografia de marcio farias)