guerrilheirana selva urbana. treinou o instinto de guerrilheira. sem armas. nem uniforme. uma guerrilheira à civil. urdindo fogo cruzado. na secreta guarita de sua casa. donde é mais fácil. detectar. os passos trapaceiros do prazer cronometrado. sexo alugado em grandes caseirões. luz escalavrada num chão de beatas. mesas longas. como bilhares de três tabelas. varões pregados ao tecto. nocturna coreografia de seios e ancas. noites engrenadas em apalpões. de consumo obrigatório. ela. a guerrilheira. usava a arma da paixão. e minava o terreno. no subterrâneo das rosas. guardava ainda. as lágrimas. os arrepios. de muitas horas de ternura. e no afia lápis. o pó de carvão. que tombava dos olhos humedecidos. ao respirar o perfume do corpo que julgava apenas seu. mas. na selva urbana. o amor sucumbe. em abraços sonâmbulos. suores e requebro. vendidos a retalho. em noites de champanhe. e flores de metal. ela. a guerrilheira. chegou à selva urbana. ainda com o cheiro das terras estrumadas. conhecia a bondade dos pastores. a dedicação. o amor acarinhado no chão da eira. pelas mulheres da aldeia. vestida à camponesa. desfez-se de todas as jóias. viaturas. e iniciou o combate: armadilhar todos os endereços. disparar com palavras de pólvora. era uma questão de vida ou morte. preferia a solidão da cárcere. a paz do cemitério. a viver. das esmolas do amor.
(imagem de deviantart)