22/05/08

como um rio

no extremo cintilar de um sorriso. cabem todas as paisagens. infinitas as deambulações. mas escreve-se só para o que não está no escaparate. o acto da escrita. na sua liturgia menos convencional. leva-nos para os limites do que paira à tona. espuma. só espuma. banhada de artifícios. peço muitas vezes. á minha mão. que sobre a caliça das paredes. encontre um fundo da lagoa espelhada. onde o teu rosto. reflicta o branco de puro começo. quando enunciamos todas as clareiras que um sorriso abre no tempo da sua descoberta. damos conta que há a proa de um navio. ou um oceano de estrelas. onde todos os sentidos navegam. quebrando comportas. rompendo cercos. porque. um sorriso. içado até ao mais alto ramo do deslumbramento. é uma carta no seu inicio. o parágrafo primeiro de um livro. que acabamos de abrir. sublinhando cada palavra. com a mesma energia. com que assinalamos a pontuação de um sorriso. escrevo para o teu sorriso. porque ele é uma página onde leio: não te conheço. e no entanto. sorris. como se tudo o que exprime o teu rosto. sorrindo. fosse um rio. que atravesso. desde a minha infância.



(fotografia de augusto peixoto)