Insolente ternuraque me castiga
silenciosamente
quando menos espero.
chega com as mãos invisíveis
e o rosto escondido.
toca-me
beija-me
arranca-me do sono
em horas insuspeitas.
morde-me
em moradas incertas.
atravessa oceanos
surpreende-me
no mais obscuro
lugar do mundo.
entre anónimos gestos
e cegas multidões.
se essa maldita ternura
não fosses tu
amor ausente
em alma e cheiro
não era
ternura.
(Pintura de knorr borocco)