para ti é pobre
enganador
o amor
ás palavras.
fugaz encantamento
de quem
se apodera dos versos
para vingar
traições
passeando
a vaidade
pelo espelho em fingidas
distracções
o poema
é um momento inútil
de glória.
porque
a palavra
não finge
uma existência
de escondimento.
tem corpo e nome.
ser que se revela
inteiro
fora do verso.
e que só pede
para ser desejado hoje.
em silêncio
como quem reza
sem o auxilio do missal.
o poema verdadeiro
escreve-se com o corpo
e o coração.
no infinito
de uma folha em branco.
de punhos
a sangrar
escapamos
a todas
as armadilhas
da poesia.
(fotografia de ana rita rodrigues)