29/12/07


interrogatório do silêncio

ela
ficou igual
a um domingo triste.
horas
cansadas.
aborrecidas
esquadrias
num pensamento adúltero.

houve um tempo
em que a luz
trespassava
o negro
encolhido
do medo.
trazia
sempre
nos olhos
lenha roída
de lume.

guardava-se
para o dia
do fogo
purificador.
para que o prazer
se prolongasse
na paz
de uma tarde
de inverno
em tom sépia.

e afinal
ficou algemada
a um clandestino
entardecer.
e agora
não aguenta
o interrogatório
do seu próprio
silêncio.


(fotografia de alba luna)