30/12/07

coração remediado


a voz
que levantamos
com ternura
contra a solidão
calou-se.

oiço nas tuas
palavras
um resto
de mar
parado.

um adeus
impostor
de quem
foge
das masmorras
do amor
com a inútil promessa:
só em sonhos
te desejo.

e a voz
a minha voz
que era a tua
oração diária
o búzio
em que o mar
desdobrava
em longos
soluços
a convulsão
da saudade?

como abrigar
num poema
o tempo coagulado
de um beijo
e ao mesmo
tempo
tentar a fuga
o afastamento
pedindo asilo
aos sonhos.

razão tem
o poeta
que proclamou:
" a única glória
é ser amado hoje.
Tudo o resto
são máscaras"
de um coração
vagamente
remediado.
digo eu.


(fotografia de alicina)