06/12/07

a nave do silêncio

caminha pela "selva escura". busca a nave do silêncio. no átrio do claustro. entrega o rosto. as mãos.o poder da palavra. o canto. das aves nocturnas. ao sudário de uma prece. a oração. que na escada da luz. se desfaz em lágrimas. e conta. tudo o que em ti. é mistério e amor. entra. pelo arco do convento. experimenta. no mais fundo recolhimento. o "húmido silêncio espiritual". o dom da entrega desinteressada. a súplica divina. que te salva do naufrágio. na abóbada de ruído. onde a felicidade. é uma estrada sombria. e cada palavra. um coração estilhaçado. na poeira. das horas apressadas. procura. a torrente. dos grandes sentimentos. no mais intimo despojamento. no mais apagado lugar. pela estrema solidão. chegarás. à musical natureza de um poema. e com ele. aprendes a viver. o segredo do intocável.

"Pelas minhas lágrimas, conto uma história". escreve Roland Barthes.

"Deus é a palavra mais perto de nós. Deus é a sombra que a sombra guarda". diz José Tolentino de Mendonça.

(fotografia de lena queiroz)