
poema dos porquês
já alguma vez alcançaste a margem da lágrima?
já alguma vez embarcaste clandestinamente num rosto que já partiu?
um sismo no sangue? já sentiste?
e um rio a despenhar-se nos teus braços?
quantas vezes forjaste paisagens para te exilares de ti mesmo?
escreves-me em quantos rascunhos?
merendas-me a que horas?
a quantos luares e beijos já renunciaste?
quantos sabores não provaste?
e as tuas palavras cicatrizam?
sofridas distâncias?
*
(fotografia marta ferreira)