25/01/09

naquele dia

naquele dia
a cópula
das chuvas
manejava
atordoada
o errante prazer
da primeira
carícia selvagem.
anestesiados
de excesso
adiamos
tudo.
lembras-te?
a música
cessou.
ouvíamos
apenas
o melancólico
flagelo
dos ramos
nas vidraças.
nossos
corpos
só entendiam
a língua
da brisa
etérea
que sopra
das bocas.
e esquecemos
velhos
refrões:
"só se escreve
sobre
o que não se
possui."


*
(imagem de barbara cole)