28/11/07

a vida de quem escreve

em que lugar
corpo
está a vida
de quem escreve?

percorremos
quantas vezes
caminhos
de um fogo extinto
respiramos
o hálito carbonizado
das locomotivas
na ilusão
de que saímos
ilesos
puros
como o ar
da floresta.

andamos
de subúrbio
em subúrbio
a remendar
infâncias
desencontradas.
já só à beira
da morte
as palavras
perfumam as rosas.

lembro-me
agora
dos teus seios
ornamentados
de argila
e dos olhos
a rodopiarem
num rio imóvel.

foi antes
de nomear
a palavra
morte.


(fotografia de grendel)