
morrer no poema
passaram muitas palavras
pelos teus lábios.
adormecias
a calcular
sentidos
modulações
de uma voz em surdina.
o tempo gastou
a estreia
de um corpo
entre duas
frases.
e as palavras
despenham-se
agora
em ravinas surdas.
desconheço
se há lágrimas
no teu silêncio
dor
na tua indiferença.
que cor terá
o amanhã
sem aquele clarão
lustrado dos teus olhos?
o que sentirás
se agora
eu morrer
a meio do poema?
(fotografia de lena queiroz)