03/11/07


eclipse

não é a pele
o corpo
as mãos
que lembram
teu corpo
nu
de damasco.
é uma página
que se extravia
um súbito
eclipse.
teu rosto
escondido
noutro rosto.
quantas vezes
fechei os
olhos a gemer
de saudade?
quantas vezes
ao pensar
no teu sorriso
vi
os frutos
cintilarem?
não adianta
imaginar
que aceitas
o requerimento
do adultério.
estás longe.
e mesmo
perto
és um eclipse.
repito.
é insuportável
este lume
bem comportado.
e se eu te enviasse
a minha alma moída
dentro de um envelope?
respondias?
se te mandasse
uma mensagem?
respiravas do lado
de lá
para mim?


(fotografia de daniel camacho)