estar dentro
da tua história
não é o mesmo
não é o mesmo
que estar
dentro de ti.
ler-te
á distância
é um capítulo
secundário.
nenhum livro
conta o que não vivemos.
e eu
quando
posso finalmente
escrever:
morri
na cova do teu ombro.
quando
posso ouvir
a tua voz
saciada?
sentir um prazer
que não seja
em segunda mão?
no ar
sentem-se
agulhas de frio
a minha letra
está cada vez
mais tremida.
uma letra
que chora
debaixo
de um céu
de chuva.
se fores comigo
agora
abrir a janela
a paisagem é outra.
estamos no mesmo
enclave de luz.
o vínculo
íntimo
dos teus olhos
está de frente para mim.
estar dentro
da tua história
não é o mesmo
que estar
dentro de ti.
a ferida
da espera
não tem
cura.
(fotografia de lena queiroz)