16/06/09


abrir uma carta


tenho a mão cansada
doem-me
as pálpebras
e meu corpo
é um porão
vazio.
nos teus olhos
onde o mar
é mais sereno
ninguém usurpa
o silêncio.
estarão neles
a salvação?
quem sabe?
ou então
nesse sorriso
que se deita
mansamente
sobre este poema
e deixa
uma silhueta
de anjo.
as palavras passam
por nós
como inúteis
turistas.
queria tanto
ir à Ópera.
encontrar-te
nas escadarias
sentir a Cármen
dilacerada
pelo amor.
correr
saltar
atravessar
o riacho.
e quando o sossego
voltasse
a dar-me
mão.
abrir uma carta
e ler o teu
sorriso
a olhar

para mim.


*


(imagem de deviantart)

3 comentários:

mari@ disse...

Texto sublime, sentimentos encontrados, lindoooo
Imagem maravilhosa.

Anónimo disse...

Fantástico!!

Filipa Costa disse...

Adorei...gostava de receber cartas assim tão genuínas!!!
Filipa