15/06/09

poeira que ri


pousavas a mão. na incrédula sombra. que em teus joelhos.

girava. enquanto. eu. preso à imobilidade das horas. lia poemas.

e olhava-te nos olhos. um deserto branco. alastrava. no teu

rosto. nenhuma palavra. acendia. um rubor. um sorriso.

pobres versos.que contra a melancólica luz da tarde nada.

podem.
fossem eles. os poemas. aquela promessa de felicidade.


que a
noite. elabora. em amados enganos. de ocasião. e tudo
era

desigual. a poesia. amealhava. glórias e etílicos arrebatamentos.

mas o poeta. que não imagina. a que horas o leitor. canta. e diz

em alta voz. seus versos. intemporais. um dia saberá. que à

tarde. o poema deve ser. conservado. higiénicamente.

porque. lida ao vento. do entardecer.

a poesia. é poeira que ri.



*

(imagem de andrea b)

5 comentários:

a.r. disse...

um entardecer cheio de poesia. lida ao vento é poeira que ri...

Adorei!!!

besito *

Margarida Araújo disse...

e faz cócegas...

isabel disse...

Que bom, voltou o nosso homem poeta. Com os teus textos os meus dias são mais alegres.
Vem para ficar p.f.

Anónimo disse...

Sublime!! Muitos Parabéns!

Anónimo disse...

Faz cócegas? mas não te rias muito...