
Não rocha muda. mas a areia húmida e o manto da escuridão. hei-de prolongar o anónimo gemido sobre as macias paredes de um véu de carne.
Não ao grito do amor mercenário. mas a dádiva de uma semente vagabunda. hei-de viajar de poro a poro velando a nudez com um tule esmaltado de estrelas.
Não ao beijo de estátua. mas o ombro despido. hei-de amar-te com os olhos cravados na falésia.
*
(fotografia de deviantart)

6 comentários:
Que mais posso dizer???
Momentos de sonho, palavras fantásticas que transmitem um desejo intenso.
Adorei.
O amor é grande e cabe nesta janela sobre o mar. O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar. O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar."
Você é um sonho distante
Perdi a noção do tempo
Me lembro dos seus olhos
Do jeito que olharam os meus
Meu coração se esconde
Prefiro não saber de ti
Do que sofrer a separação
Eu me pergunto
Vou te encontrar de novo
Ou tudo é só um sonho
Então sonho outra vez
E o sonho traz você pra mim
Sonho que espero não ter fim
Sonho que espero não ter fim
Este poema faz parte do meu caderno, onde guardo os teus fantásticos textos... Adorei.
"hei-de amar-te"
:) *
muito bom este poema.
estou a reflectir no que vou dizer.
bem, dado o silêncio, digo que são vinte e duas horas e trinta e quatro minutos e acabei de escrever este poema.
abraço.
Pergunta-me
se ainda és o meu fogo
se acendes ainda
o minuto de cinza
se despertas
a ave magoada
que se queda
na árvore do meu sangue
Pergunta-me
se o vento não traz nada
se o vento tudo arrasta
se na quietude do lago
repousaram a fúria
e o tropel de mil cavalos
Pergunta-me
se te voltei a encontrar
de todas as vezes que me detive
junto das pontes enevoadas
e se eras tu
quem eu via
na infinita dispersão do meu ser
se eras tu
que reunias pedaços do meu poema
reconstruindo
a folha rasgada
na minha mão descrente
Qualquer coisa
pergunta-me qualquer coisa
uma tolice
um mistério indecifrável
simplesmente
para que eu saiba
que queres ainda saber
para que mesmo sem te responder
saibas o que te quero dizer
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