embarqueantes do regresso
sob um tecto de zinco
avia um adeus atabalhoado
despejando no chão varrido
da sala de embarque
o cheiro do mato
sementes das rubras acácias
o pó da terra bravia
trilhos selvagens.
carvão em chamas
na fogueira dos teus olhos.
será que é ainda brasa?
a inesperada turbulência
de um beijo neste corpo
amarrotado em poços de ar.
não sei meu amor
se ainda me esperas.
com aquela desorientada
vontade: abraços tresloucados
lágrimas e tremores
lábios esbanjadores
pétalas de orvalho
que florescem na raiz dos poros.
esperas-me?
no balcão em que se identificam
desesperados passageiros
perdidos de amor?
*
(imagem de autor desconhecido)