05/06/08


Leva-me


Leva-me de um fôlego até onde cantam as fontes e os juncos vacilam na corda dos ventos.

Leva-me pelo trilho de um sopro ou na voz muda das palavras que agonizam no linho, quando os nossos corpos flutuam insaciáveis pelos canaviais e a maresia desagua no armistício de um orgasmo.

Leva-me pelo hálito da alfazema, pelo aroma dos pinheiros.

Leva-me até à fronteira onde nascem favos de mel nas tuas mãos.

Leva-me até às abas do infinito.

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(fotografia de deviantart)