
Doze Moradas do Silêncio
Envolver-me na mais obscura solidão das searas e gemer
amassar com os dentes uma morte íntima
durante a sonolência balbuciante das papoulas
prolongar a vida deste verão até ao mais próximo verão
para que os corpos tenham de amadurecer
...colher em tuas coxas o sumo espesso
e no calor molhado da noite seduzir as luas
o riso dos jovens pastores desprevenidos
...as bocas do gado triturando o restolho
...as correrias inesperadas das aves rasteiras
...e crescerei das fecundas terras ou da morte
que sufoca o cio da boca...
...subirei com a fala ao cimo do teu corpo ausente
transmitir-lhe-ei o opiáceo amor das estações quentes.
(AL Berto)
(fotografia de graça loureiro)