09/07/07

que nome

que nome dás
à espada
de azulado gume
que
me derruba
entre suores frios?
que fantasmas invocas
para que te veja
a todas as horas
reclinada
num paredão de feno?
em que dia infinito
habitas?
em que cama
te deitas?
se o teu acordar
é um rosto adormecido
na vagarosa manhã
e os teus olhos
uma lagoa de lágrimas
cavada
num borrão
de fumo?
que nome dás
à saudade?
estrela cega?
chicotada de chuva?
ou um súbito colapso
de quem morre
quando menos
lhe apetece?


(fotografia de maria josé amorim)