mãos abolidas uma lágrima
escondida
no avesso da noite.
a ira do farol
num mar despovoado.
o abandono
do náufrago
numa ilha inexistente.
o teu nome
já só estruma o poema
porque
não há água
sede
desejo
no fundo da cada
sonho.
na ressaca do tempo antigo
o vento magoa
os lábios.
dou-te um nome
que já não é teu.
uma flor que morre
num jardim de serpentes.
e até teu o cheiro
se perde
na espessa ausência.
de mãos abolidas
entrego-te a erosão
a memória vazia
e um céu encoberto
a morte
quando chegar
já não tenho medo
nem dor.
(fotografia de mariah)