23/11/11

rapto




moro aqui. no arco sombrio. da submissa página. fortaleza arruinada.
entre o zumbido das vespas. e muitas cartas sem resposta.
moro aqui. nesta trincheira inútil. imaginando-te. a transpor o muro alto das palavras. fecharam a janela. por onde tantas vezes. as tuas lágrimas escorriam. pedindo mais que um poema.
moro aqui. emboscado. tentando salvar. remendos de um futuro às escuras. os olhos pesam. os joelhos tremem. e tu já não me podes. acudir. as portas estão trancadas. espero-te. na paragem do autocarro.
rapta-me.





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(imagem de barbara cole)