29/07/09

praia de vento


na praia

os ventos ferem

os olhos

e os veleiros

entornam sobre a esteira do mar

amargas nostalgias.

oiço o assobio

da nortada na tua vidraça

donde me observas.

uma folha perdida

trepida

nos teus olhos

como um pássaro exilado.

um alto guindaste ergue-se

nas trevas.

e eu quero morrer

depois de um passeio

pela beira mar

nestes dias

em que o vento

cega

o horizonte.

procuro na maré

indómita

uma vaga mais calma

igual à carícia

que certa noite

me ofertaste

entre espuma e suores.

talvez ainda vá a tempo

de cancelar a morte.

talvez.

se o tempo

em que me adio

trouxer o teu corpo

o teu sabor.

minha boca

carregada de mel.


*


(imagem de desconhecido)