praia de vento na praia
os ventos ferem
os olhos
e os veleiros
entornam sobre a esteira do mar
amargas nostalgias.
oiço o assobio
da nortada na tua vidraça
donde me observas.
uma folha perdida
trepida
nos teus olhos
como um pássaro exilado.
um alto guindaste ergue-se
nas trevas.
e eu quero morrer
depois de um passeio
pela beira mar
nestes dias
em que o vento
cega
o horizonte.
procuro na maré
indómita
uma vaga mais calma
igual à carícia
que certa noite
me ofertaste
entre espuma e suores.
talvez ainda vá a tempo
de cancelar a morte.
talvez.
se o tempo
em que me adio
trouxer o teu corpo
o teu sabor.
minha boca
carregada de mel.
*
(imagem de desconhecido)