partirnão me perguntes a quem pertenço. esquece a morada. imagina que não tenho passado. deixa-me partir todos os dias. ao teu encontro. com um fio de incenso a relampejar entre os dedos. a luz baça do outono na divisa do ombro. uma varanda dourada. donde possas avistar o azul dos fiordes. lugar onde as uvas não sangram. e o amor nunca se gasta. se levar na boca o sabor a morango. ou a pêssego. prometes que arrastas a névoa para o cemitério. e trazes de volta aquela covinha onde tantas vezes afundei os lábios.
(o sorriso encomendava bonecas de peluche, chocolates, a maça do rosto apoiada no joelho, lembras-te?).
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(imagem de geoffroy demarquet)