13/10/08


pensa

pensa
na divisória de granizo
onde a chuva
amolece a fúria
pensa
nas folhas de outono
que suturam
calçada feridas
pensa
no colapso das máquinas
pensa
no que te digo:
gosto do negro em ti.
pensa
no que me dizes:
gosto do teu sabor a vício.
mas tenho medo
de perder o endereço do amor.
pensa
num instante parado
entra em mim
olhos brancos
água de lavanda.
pensa
no foragido desejo
dinamitado pelo beijo.
pensa pensa
a minha cama
é uma praça escura
meus seios
candeeiros azuis
só as tuas mãos
ladinas
sabem acender
o resto do meu corpo.
pensa.

*


(fotografia de lilya corneli)