20/08/08



escrevo


Escrevo para não sufocar entre as grades da escuridão.

Escrevo porque não posso adiar o coração.

Escrevo porque há olhos atlânticos onde apetece velejar e cabelos flutuando à proa dos sonhos.

Escrevo porque há palavras e gestos que ainda baloiçam no jardim das delícias.

Escrevo contra as certezas, as leis, a moral e a rotina.

Escrevo porque acredito nos mandamentos da natureza e em instantes eternos.

Escrevo porque falas da vida com a doçura de uma açucena.


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(fotografia de graça loureiro)