07/07/08




pôr do sol

leva o poema com as mãos em chamas e deposita-o num cume de luz. sobe lentamente o meu peito. semeia uma letra que seja. um princípio de tempestade. bebe-me como se cada ponto não fosse suficiente para te matar a sede. acorda a cabeleira em fogo da queda d'água. lava-me por dentro. os meus lábios correm aflitos pelos espaços em branco. diz-me que a resposta é uma longa prece. seios em mim. estalido de pele. gritos abraços beijos joelhos colados à relva molhada. diz-me que a chuva de verão cai para te mordiscar o lóbulo. manda-me o teu corpo coberto de folhas. o cheiro da chuva em terra seca. guia-me pelo primeiro fio de orvalho que tomba na rosa. depressa antes que os meus braços sejam derrotados.

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(fotografia de paulo vaz)