13/07/08


naquela hora das cinco

naquela hora das cinco.meu amor. as acácias vermelhas. com o seu morno perfume. polinizavam. o ar. e as cigarras. congregavam. o canto. para a larga sombra do imbondeiro. a minha. e a tua pele. raízes. da mesma árvore. costuravam uma imensa copa de lágrimas. um Deus africano. presidia à cerimonia. naquela hora das cinco. em que todas as aves. sossegam. e a saudade. recolhe ao casulo. para que. um destes dias. depois do último subscrito. abrimos. na outra. margem do mundo. a arca dos prazeres.

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(pintura de autor desconhecido)