18/01/08

carícias

já alguma vez sentiste a doçura de um sorriso a roçar-te a pele?
já alguma vez entraste a bordo de um rosto e sentires subitamente um abalo no corpo. um sismo no sangue?
é assim que eu me sinto. quando a teu lado o rio de águas tranquilas desagua nos teus braços. porque não sei forjar vocábulos separados da paisagem que se ajoelha a meus olhos. silenciosamente. não quero remar contra a tua maré. venero como ninguém o altar que decidiste entregar o teu coração. mas que hei-de eu fazer? calar as fontes? emudecer o hino das aves?
não sou um poeta fingidor para ti. quero escrever-te para segregar todo o teu sentimento. não há nada mais sublime do que as carícias das tuas mãos nas trevas. porque tu não és adversa ao toque e preferes como eu o linho das palavras que estendemos diariamente como merenda nocturna. se há remoinhos que nos separam. inventemos outras correntes. ajuda-me a encontrar o afluente onde todos os sonhos sejam possíveis. não peças que abrande este modo adolescente de querer trocar rosas e frutos contigo. conheço o sabor dos teus olhos. as tuas palavras em mim despertam alquimias secretas.


(fotografia de alberto viana d'almeida)